15 de fev de 2011

Ruas

Caminham calças e saias
Sem pernas e sem rumos
Carentes de abraços

Cheiros molhados
Em lixo Homem
De fome urram
Beijando o asfalto

Relâmpagos, tiros
Paralisam a rotina
Olhos chovem
Em nuvens de esquecimento

Multi coloridas flores
Murcham
Passageiras
Do ônibus da vida
Que segue

14 de fev de 2011

Encontro


 De te amar
Meu corpo baila em
Lâmina afiada
E não sangra

Visto sol
Em despido abraço
Despido me veste
De ternura e proteção
Me tens nas mãos

Vela solitária ilumina
Madrugada de luz fraca
Para que eu não esqueça
Que é na escuridão
Onde te encontro

Gigantude de criança



Semeiam estrelas e borboletas
Algumas róseas outras violetas
Pintam o Céu de verde
Pra que não esqueçam
Araras não se pintam com canetas

Com sua inventitude
Pintam mil peripécias
Transformam em menina a boneca
Bolas quadradas em balão
Jornal em avião

Transformam a fome em vontade
Tristeza em coisa de gente grande
Remédio pra solidão, abraço
Felicidade em algodão

Bons sonhos queridos poetas, meninos
São crianças se divertindo
Quando esquecem o mundo
O relógio não mais marca o tempo,
Inexiste segundos.

12 de fev de 2011

Tempo


Tempo
Movimenta moinhos
Leva com voracidade
Os pueris amores da mocidade

Ponteiros tangem
Chocam em realidade
Os reflexos no espelho

Voam meus pensamentos
 Ilhas em cinzas
Neblina de nicotina
Meu silêncio
cabe tua poesia

Papel Amassado



Me diz então
Porque me beija a boca
Porque me deixa louco

Deixa dor de cabeça
Me tens preza indefesa
Te fartas banquete
Atira-me papel amassado ao chão

Deixaste o gosto de teus beijos
Teu cheiro em meu corpo
O cio do gozo
No quarto de hotel
Um adeus em um bilhete
Amiúde papel

Me poupaste o adeus da partida
Abriu em meu peito a ferida
Que só cicratiza quando voltares
Ao leito meu.

Anjo Negro


Anjo negro de malicia
Tiras-me o chão com suas caricias
És tapa que não arde
És mordida, embriagues

Menino a brincar com fogo
És o cio da madrugada
Beijo quente que arrepia a alma

Ponho-me a decifrar a
Escrita do teu corpo
 E reverberas em gemidos de gozo

Beija-me o sexo, despertar libido
Romper com a inércia de sentidos
Suave tez a meia luz
Beija-me, seduz

Anjo negro
Tu que me desperta alma
Poeta

Colibri


Vai, voa longe colibri
Me deixa desprotegido
Sozinho
Com medo

Tu levas no coração segredo
Meu amor infindo
Delicado relicário
Pra que ninguém saiba
Que te pertenço

Carrego grande solidão
Realidade, ilusão
Do tempo que não sou o que quero

Da imaturidade, racionalismo
Crio milhões de mecanismos
Pra te afastar do peito em vão